Sunday, 28 February 2016

BLOG: Anidrobiose

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Segunda-feira, 29/02/2016 às 00:05por Luiz Carlos Betenheuser Júnior

“Todos os processos vitais param e eles entram em um estado suspenso de vida chamado anidrobiose, uma escala bizarra entre vida e morte”. Da BBC Brasil (“O animal ‘indistrutível’ que a Nasa usa para testes no espaço”. Zaria Gorvett, 24/02/2016).
 
Do Dicionarioinformal.com.br:
 

Anidrobiose é a suspensão temporária das atividades vitais que possibilita a um organismo (animal ou vegetal) suportar uma longa desidratação.
 

O que acontece é que, diante de situações ambientais adversas, nas quais o organismo “sabe” (sem consciência disso, claro) que não vai conseguir sobreviver, o seu metabolismo é simplesmente desligado. A animação suspensa em estado “mineral” pode ser prorrogada por anos a fio, até que as condições melhorem e a criatura em questão possa retomar sua vidinha de sempre.

 
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Quando adolescente, vindo de uma infância fantástica durante os anos dourados do Coritiba, lia o material sobre futebol na época. Em se tratando de abrangência nacional, o estado do Paraná se resumia ao Coritiba Foot Ball Club. Literalmente. Era a referência para o país. Mas essa referência deixou de ser com o passar das décadas. Assolado por 15 anos de um mesmo grupo no poder – de fato, ou de direito, e mais de fato do que de direito -, deixamos de ser referência nacional. Vivemos da grandeza de nossa torcida.
 
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Até aqui pode ser considerada como ridícula a campanha do Coritiba no regional. Temos o  mais antigo, tradicional e vitoriosa equipe do futebol paranaense na temporada 2016 é um sinal evidente de problemas no departamento de futebol do Clube. É indispensável uma profunda mudança, imediata, no status quo. O time mostra limitações técnicas. E o treinador, limitações táticas.
 
Mais do que isto, o que precisa mudar é a forma como o futebol é administrado no Alto da Glória. Futebol não é para curiosos ou abnegados. Requer competência, requer conhecimento também. E, é claro, dedicação muito grande ao dia-a-dia do Clube.
 
Mas como é mais rápido e simples mudar na bola no que na gestão… algo como “Pão e circo” para a massa enfurecida. 
Das liderenças do Coritiba o que se espera é uma atitude correspondente ao padrão entusiasmado e ufanista que eles tinham quando da eleição de 2014, quando o pessoal Coxa Maior mais e muito prometeu. E não cumpriu muito do que prometeu. O triste é que mais um projeto vira motivo de chacota dos adversários, mas quem dá a cara para bater é a instituição, não os responsáveis pelo projeto. Aliás, agora é a maior debandada da história. Vários situacionistas já começaram a agir como oposicionistas. A história está se repetindo, e quem mais sofre é o Clube.
 
O reflexo do time em campo é diretamente proporcional aos problemas de gestão resultantes de um projeto de trabalho evidentemente falido e fantasioso. Não deu certo. E quando não dá certo, tem que mudar. E mudar o mais rápido possível, pois nas competições nacionais a situação irá complicar mais, muito mais.
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A eleição de 2017 já começou. Podem notar que há quem só critique a diretoria do Coritiba, isentando completamente um projeto feito por um grupo de pessoas, projeto esse que ganhou contornos indomáveis, denominado para fins eleitorais, um projeto bem “Maior”. Indomavelmente maior…
 
Era um projeto para o Clube, não para um grupo de pessoas, diziam. Na prática, isso não ocorreu, pois com os maus resultados, veio à tona a verdadeira faceta do projeto: novamente ficam na linha de frente, na cova dos leões e tigres, os dirigentes. Sim, eles têm responsabilidade direta por tudo o que está ocorrendo, mas não são os únicos responsáveis. Os maiores voltam ao “anominato”, mesmo circulando livremente pelo centro do poder.
 
A estratégia é antiga e foi detalhada anos atrás pelo fiel torcedor Coxa-Branca Rodrigo Sibut em http://ift.tt/1Re6WAW.
 
A vida segue naquela velha toada, que transforma “situação em oposição” e “oposição em situação” a cada eleição.
 
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Em 2017 o Coritiba terá a mais importante eleição de sua história. Isso porque entrará nos cofres dos Clubes durante o triênio da próxima gestão a maior receita da história coritibana decorrente de um contrato de televisionamento. É muito dinheiro. E se com menos dinheiro, a efetividade do gasto dele beira a uma imaginação surreal, pois não existe efetividade alguma, seguindo esse ritmo e esse modelo de gestão, todas as dezenas de milhões de reais poderão se transformar em nada em pouco tempo. E o ciclo vicioso e derrotista se manterá. O status quo seguirá.
 
Para os próximos anos o Coritiba Foot Ball Club terá que passar por uma profunda reformulação interna, cultural, organizacional, ética. Ou estará fadado a seguir diminuindo de tamanho a cada ano. Uns dizem guaranização; outros, paranização. O uso dessa referência por mim não é para diminuir adversários, menosprezar sua história e torcida, que merece muito respeito, pois amam seus times. É sim uma referência direta, prática, objetiva à vida como ela realmente é. Algo como pais, preocupados com o terror das drogas, mostram aos filhos jovens as trágicas transformações que já ocorreram na vida de alguns usuários de drogas.
 
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A eleição de 2017 já começou sim no Alto da Glória. Só não vê quem é ingênuo ou tem algum bom motivo para negar o óbvio. E o “modus operandi” de outras eleições já está ocorrendo, silencioamente, mas em pleno vapor: alguns que eram “situação” viraram “oposição” e ano que vem retornarão como “oposição” para mudar a “situação” que eles mesmo criaram. Sim, esse monstro tem nome e tem criador.
 
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Se quiser mudar de cenário o Clube, que precisará passar por um processo similar a uma anidrobiose para retornar mais forte, será necessário o sócio Coxa-Branca mudar seu jeito de votar. Terá que votar pela cabeça, não pelo coração.
 
Será dolorido, muito. Difícil. Muito também. E, demorado. Mas tão demorado, quanto difícil e quanto demorado, será necessário. Resta saber se a maioria dos sócios coritibanos votarão com base em promessas fantasiosas ou num plano de ação muito agressivo, do tipo esforço de guerra, com “Sangue, suor e lágrimas” como um dia ensinou Winston Churchill, ex-primeiro-ministro do Reino Unido durante a maior e mais trágica guerra da história da humanidade.
 
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