Monday, 7 March 2016

O que aprendi com Muhammad Yunus

Não, ele não é uma unanimidade. Seu pensamento para a equidade econômica no mundo é ousado e radical e mesmo sendo controverso, seus ideais têm se espalhado pelo mundo e surpreendentemente tem atraído alguns dos maiores bilionários do planeta.

Yunus é conhecido como o criador do microcrédito moderno, em 1976, quando era professor universitário em Bangladesh. De lá para cá, abriu um banco, o Grameen Bank (que hoje existe até nos EUA), ganhou um prêmio Nobel da Paz, em 2006 e criou a Yunus Social Business, seu braço de aceleração de ideias e negócios sociais. 

Este é um texto sobre o que percebi neste homem, quando tive o prazer de encontrá-lo em sua visita ao Brasil. Foi em 1o. de maio, no dia do trabalho, quando muitos estavam descansando, estávamos eu e mais 60 pessoas sentadas esperando para ouví-lo na Fundação Dom Cabral, em São Paulo. Não foi um choque perceber que ele é um cara extremamente acessível e educado. Mas depois de tanto tempo, desde o seu começo em 76, imaginei que ele poderia estar cansado nas suas ideias, deixando mais a coisa fluir do que propriamente deixar o mar “bravo”. Cometi meu primeiro engano. Por trás da calma que transparece no rosto, Yunus carrega um inconformismo típico dos jovens. Não aceita o status quo nem é fã de assistencialismo. Leva consigo e propaga aos demais quando fala uma revolta com o caminho que escolhemos. E é categórico quando diz: NÃO DEVEMOS TER LUCRO !

Ora, estaria este senhor de cabelos brancos louco? Em que mundo ele vive? a base do capitalismo é o lucro. Todo mundo que ter lucro. Estaria ele pregando no deserto? A questão é controversa porque ao mesmo tempo em que prega isso, Yunus tem muito contato com os grandes empresários mundiais, que inclusive apoiam a sua causa, mas suas empresas tem lucro. Na verdade tem muiiito lucro. Só isso já poderia colocar seus críticos em posição de batalha. Mas não é tão simples atingir alguém que tem um Nobel da Paz no currículo. E depois de pensar muito no que ouvi do Yunus há quase 3 meses decidi escrever. Ele está CERTO. Não se trata de discutir apenas o lucro e sim de debater que devemos ser remunerados pela qualidade e importância do nosso serviço, trabalho ou produto e o que vier a mais, poderíamos destinar a um fim mais nobre, criando uma cadeia de valor imensa. Para Yunus, PPLR (participação nos Lucros e Resultados) deveria acabar. Que rufem os tambores. O mundo seria um lugar melhor. O teor do que ele prega atinge imediatamente as grandes fortunas, os “bilhas” e “milhas” do mundo. Certamente esta visão já é compartilhada por bilhões de pessoas da base da pirâmide mundial, até porque eles aprenderam a viver e sobreviver com o que tinham, fazendo muitas vezes milagres para suprir o princípio básico de Maslow, em sua pirâmide de necessidades.

Mas nem tudo são rosas nesta luta. Yunus tem um time forte, de jovens idealistas e combativos. Mas falta uma pressão maior em quem efetivamente cria e modifica os marcos legais: o poder público. A mudança que ele propõem tem valor considerável para o futuro da “Riqueza das Nações”. Sem dúvida seu discurso já influencia os empresários do amanhã e isso vai alterar o status quo do mercado financeiro mundial talvez em 15, 20 anos. A questão que não quer calar é: E se isso não acontecer? Qual será o próximo passo da galera do bem que o segue? Qual será a nova trincheira de resistência? Existe plano B? C?

Independente da resposta, saí com a certeza que o inconformismo de suas palavras me inspira a algo maior. Me faz crer que o microcrédito pode permanecer como uma das grandes ferramentas mundiais de ascensão socioeconômica e mais do que isso. A maior de todas as lideranças é a realizada pelo exemplo. Por isso fica aqui meu toque a galera do mercado financeiro que muitas vezes não sabe o que está acontecendo de revolução na base, de como isso é o que vai impulsionar o país economicamente no futuro.

Se quiserem aprender mais sobre isso, nem precisam olhar pro Yunus (ainda que eu recomende isso). Basta olhara para a Universidade da Correria (Dinho), para o Saladorama (Hamilton), para a galera da Brazil Foundation (Helio Campos), 4 You 2 (Fuga), Confia Empreendedorismo e Microcrédito (Fabiana Kuroda), Yunus Social Business (Carol e Rogério) e tantos outros que estão na batalha. 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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