Monday, 7 March 2016

Seat, a maior montadora da península ibérica

Seat 1400
Antes da Guerra Civil Espanhola, o mercado de automóveis na Espanha parecia florescer com alguns fabricantes locais, entre eles a Hispano-Suiza. No entanto, o conflito devastou a economia do país e o mercado automotivo.
Ainda assim, a necessidade de um fabricante nacional fez com que o banco Urquijo e um pool de empresas espanholas (incluindo a Hispano-Suiza) criou a SIAT (Sociedad Ibérica de Automóviles de Turismo). A época, infelizmente, não poderia ser a pior: 22 de junho de 1940.

Seat 800
Com a Segunda Guerra iniciando ao mesmo tempo que a SIAT, a Espanha continuou a sofrer os efeitos do conflito anterior e sem poder reagir com ajuda estrangeira, por motivos óbvios. Após o fim das hostilidades, o projeto foi estatizado pelo governo Franco, que queria ter um carro 100% espanhol.
Sem experiência no setor, a SIAT logo viu que sem uma parceria, o projeto não sairia do papel. A sociedade foi novamente refeita, desta vez rebatizando a empresa como SEAT (Sociedad Española de Automóviles de Turismo). Nos escombros da Europa pós-guerra, poucos fabricantes estavam aptos para fornecer o apoio técnico necessário para a empreitada ibérica.
No fim dos anos 40, a Seat tinha duas opções viáveis: Fiat e Volkswagen. A primeira foi escolhida por ser um fabricante líder no segmento de carros com até 12 cv, exatamente o que a Espanha exigia na época. Além disso, a parceria com a Simca na França, provou que a italiana tinha experiência em processos complexos.

Seat 133
Fiat
Assim, em 26 de outubro de 1948, um pool de bancos espanhóis (42%), o governo de Franco (51%) e a Fiat (7%) entraram como sócios na Seat, cuja planta foi construída na região portuária de Barcelona, que na época era zona franca. O local também já vinha sendo usado desde antes da Guerra Civil Espanhola como centro de produção de automóveis.
A construção começou em 1950 e terminou em 1953, quando saiu da linha de montagem o primeiro Seat, chamado 1400. Este era um sedã similar ao Fiat 1400. Logo depois surgiu o Seat 600, versão do Fiat 600, que provou ser mais bem-sucedido no mercado espanhol, que ainda necessitava de carros baratos, ao contrário do 1400, mais caro e para poucos.

Seat 1200 Sport
Em 1963, o Seat 800 se tornou o primeiro modelo desenvolvido pela marca espanhola, baseado no Fiat 600. Quatro anos depois, a empresa se tornava líder de vendas e produção no país. No decorrer dos anos, a Fiat aumentou sua participação para 36%, enquanto o governo espanhol e os bancos locais diminuíram suas ações. O controle italiano estava cada vez maior na empresa no fim dos anos 60.
No ano de 1974, o Seat 133 foi lançado na Espanha como uma variante local do 126 (parecido com nosso 147, mas com motor e tração traseiros). A empresa expandira a produção na região de Barcelona um ano antes. Em 1975, o Seat 1200 Sport foi o primeiro carro inteiramente desenvolvido na empresa, não derivando de um Fiat.

Seat Fura
Uma série de aquisições locais e inaugurações fazia da Seat um fabricante com estrutura mais desenvolvida, podendo assim produzir motores, transmissões e outros componentes, além de modelos estrangeiros, começando pelo Lancia Beta em 1976. Em 1980, o Seat Panda era equivalente ao homônimo ítalo.

Seat Ronda
Saída da Fiat
Quatro anos depois, no entanto, a disputa pelo controle da montadora, envolvendo os bancos, o governo e a Fiat acabaram com a saída desta última. Sem dinheiro por conta dos efeitos da Crise do Petróleo, a italiana não podia mais financiar seu plano de ter o controle da Seat.

Seat Marbella
Assim, a espanhola se viu sozinha no momento em que a economia do país finalmente começou a crescer. Em 1982, o primeiro carro da Seat independente foi o Ronda. Ele era parecido com o Fiat Ritmo e a marca italiana entrou com um processo contra a espanhola.

Início da produção do Seat Ibiza
O tribunal de arbitragem de Paris não viu similaridade entre os projetos, dando ganho de causa ao fabricante de Barcelona. A própria Seat já havia mostrado à imprensa europeia o Ronda com peças diferentes do Ritmo, pintadas para que fossem identificadas. Rumores diziam que a Fiat estava com raiva, pois o facelift de seu carro era exatamente o proposto para o ibero.

Seat Toledo
Volkswagen
No mesmo ano do imbróglio com a Fiat, Carl Hahn assume a Volkswagen e vê na saída da Fiat uma oportunidade para entrar no mercado espanhol e tornar a montadora alemã uma força internacional. Mas, a Seat já havia iniciado negociações com Toyota, Nissan e Mitsubishi.
A parceria veio quando a Volks propôs a produção sob licença dos modelos Passat, Santana e Polo nas plantas da Seat em Barcelona. O fato que culminou nessa ação foi o fim da produção do Seat Panda em Landaben, planta que passou a fazer os carros da VW.

Seat Málaga
Com isso, um acordo foi feito entre Seat e VW, resultando na distribuição de Volkswagen e Audi de exclusividade da marca local dentro da Espanha. O Ibiza foi um novo carro baseado ainda no Ronda anterior, gerando inclusive um sedã, chamado Málaga. Em 1986, a VW compra o controle acionário da Seat (51%), mas no mesmo ano amplia a participação para 75%.
Mesmo assim, os três principais produtos da Seat eram em realidade derivados da Fiat. Em 1990, a empresa se tornou a primeira marca não-alemã do Grupo Volkswagen com 99,99% das ações. No ano seguinte, surge o Toledo, o primeiro derivado VW (Golf). Em 1993, a duas empresas inauguram a moderna planta de Martorell, localizada no interior da região de Barcelona.

Seat Córdoba
Anos dourados
Nessa mesma época, a Volkswagen faz valer seu controle sobre a Seat com a segunda geração do Ibiza, agora derivado do Polo. Já o Málaga é substituído pelo Córdoba, também com base no compacto alemão, dando origem também ao Polo Classic. Ainda assim, o Panda – que a partir de 1986 foi rebatizado de Marbella – continuou em produção até 1998.

Seat Arosa
Para substitui-lo, a Seat criou o Arosa em 1997, um subcompacto derivado do Ibiza. A Auto Europa se estabeleceu um ano antes em Portugal, dando origem à minivan Alhambra. A Córdoba Vario surge como uma bela perua derivada do sedã compacto, criando assim uma interessante família na marca. A segunda geração do Toledo evoluiu com o Golf IV e logo surgiu o hatch Léon. O Inca apareceu na mesma época como uma versão local do Caddy.

Seat Alhambra
Em 2004, a Seat aposta firme no segmento de minivans convertendo o sedã Toledo para uma proposta familiar, embora fosse classificado como um hatch. O Altea era semelhante, mas de tamanho menor, classificado como minivan. Nessa época, o único sedã da Seat era o compacto Córdoba.

Seat Córdoba Vario
Essa situação durou até a chegada do Exeo em 2008, que foi alvo de críticas por ser um Audi A4 de geração anterior àquela que chegava ao mercado europeu. Em 2010, o Córdoba sai de linha e dois anos depois, o Toledo volta a ser um sedã, mas agora compacto e derivado do Skoda Rapid.

Seat Toledo III
Um ano antes, o Mii assume o lugar do Arosa, sendo irmão do up!. Léon e Alhambra evoluem junto com o Ibiza, mas o Exeo sai de cena em 2013. Recentemente, a Seat lançou o Ateca, seu primeiro SUV, um modelo de porte médio. Desde o começo da gestão da VW, a marca espanhola tem apresentado prejuízo, com exceção de poucos “anos dourados” na década de 90.
Para mudar a situação, a VW expandiu as vendas da marca para o México e Chile, mas a manobra foi insuficiente para reverter os resultados negativos. No começo dos anos 2000, a Seat saiu de vários mercados, especialmente o brasileiro, onde vendia o quarteto Ibiza/Córdoba/Vario/Inca. Atualmente a empresa luta para obter lucro e se mantém como o principal centro de produção do Grupo Volkswagen fora da Alemanha.

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